Eu sou torcedor do Clube Náutico. Sou apaixonado por esse time, mesmo com todo o sofrimento que ele tem me feito passar. Normalmente, eu só ia assistir aos jogos clássicos, contra o Sport ou o Santa Cruz. Em todos os jogos que eu ia, o Náutico nunca perdeu — sempre foram vitórias ou empates, nunca derrotas. Até aquele dia fatídico.
Se me perguntarem o ano, eu não vou saber, mas foi assim:
Comprei um ingresso para assistir a um jogo do Náutico x Sport, na Arena Pernambuco, num domingo à tarde. Pesquisei antecipadamente o itinerário para chegar lá sem problemas. Saí com duas horas de antecedência, peguei um ônibus com destino à estação de metrô, depois um trem, e finalmente cheguei à estação da Rodoviária.
Enquanto eu esperava na fila para pegar o ônibus que me levaria ao estádio, comecei a escutar uma gritaria. Olhei em volta e vi uma família de torcedores do Sport no meio da estação, onde deveria haver milhares de torcedores do Náutico, inclusive da torcida organizada. Por sorte, a Polícia Militar estava lá e protegeu aquela família de qualquer possível agressão.
Já dentro do ônibus, percebemos que o motorista estava fazendo um percurso suspeito — ele estava se aproximando cada vez mais da torcida organizada do Sport. Quando notamos, começamos a gritar com o motorista para que tirasse a gente dali.
Finalmente, chegamos à entrada destinada à torcida do Náutico. O jogo estava prestes a começar, a ansiedade era enorme. Era minha primeira vez na Arena Pernambuco, e a expectativa estava lá em cima…
Perdemos (-_-). Foi uma derrota por 2 a 1. Naquele momento, o que sentíamos era raiva, desapontamento, tristeza, arrependimento — entre outros sentimentos negativos.
Era hora de voltar. Descobrimos que a torcida do Sport havia sido liberada mais cedo, então era necessário retornar o mais rápido possível. Quando cheguei na parada de ônibus, descobri que havia apenas um único ônibus para levar a torcida do Náutico de volta à estação.
Ao olhar em volta, notei que estava cercado pela torcida organizada. Pensei que minha melhor opção naquele momento seria voltar a pé para a estação. Foi nesse instante que o ônibus chegou e parou com a porta exatamente na minha frente.
Sem ter escapatória, fui arrastado para dentro. Quando percebi, já estava lá — e sem uma das minhas sandálias. Sem escolha, decidi continuar.
Aquela viagem de volta foi absurda: arrebentaram a mangueira hidráulica da porta e quebraram a claraboia do ônibus para subirem no teto do veículo. Era a mais pura depredação.
E, para completar a situação, bem na minha frente estava uma mulher — linda, com glúteos volumosos, toda bem-feita — e um namorado de mais de dois metros de altura. Eu só queria ficar na minha e não me envolver com ninguém ali.
Mas então percebi que ela estava indo para trás, na minha direção, cada vez mais perto. Fiquei com receio de ser acusado de assédio e acabar espancado ali mesmo.
Finalmente, chegamos na estação sem problemas. Agora era só voltar, e tudo ficaria bem. Ou... era o que eu pensava.
Enquanto esperava o trem na plataforma do metrô, mais uma vez, um grande número de membros da torcida organizada estava presente. Quando o trem chegou, começou um tumulto. Na hora, achei estranho, mas logo descobri o que estava acontecendo: um único jovem, usando a camisa do Sport, estava no vagão que parou bem na minha frente.
Nesse momento, a 'organizada' do Náutico começou a se acumular ao meu redor novamente. (Eu realmente não devia ter saído de casa naquele dia.)
Quando as portas se abriram, fui arrastado mais uma vez e acabei parando bem na frente daquele torcedor do Sport. Lá estava eu, entre ele e a torcida organizada, que estava com sangue nos olhos, ameaçando o rubro-negro para que entregasse a camisa.
Foi então que um cassetete passou a um palmo do meu rosto. A PM estava naquele vagão. Começou um tumulto, e eu tentei me afastar o máximo possível da situação para não acabar sobrando para mim. Me distanciei e fiquei encostado na porta do trem.
Com o tempo, a confusão se acalmou e a viagem ficou mais tranquila. Mas, como se o universo quisesse reforçar que eu realmente não devia ter saído de casa, a porta do trem — justamente onde eu estava encostado — começou a se abrir. Na hora, eu congelei.
Graças a Deus, havia um policial naquele vagão. Ele me segurou pelo colarinho e me puxou dali à força.
Quando finalmente cheguei em casa, prometi a mim mesmo: nunca mais vou a um jogo na Arena Pernambuco.

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